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Xeque do Pastor: Como a Perícia Agronômica Prévia Pode Definir a Condução Processual

  • Gustavo Queiroz Evangelista de Almeida
  • há 22 horas
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 3 horas

MSc. Eng. Agrônomo. Fundador da Sapientia Agroconsultoria


Perícia agronômica

O xadrez jurídico do agronegócio é um tabuleiro onde estão em jogo o patrimônio de gerações e a receita proveniente do suor do produtor. Neste jogo esperar pela fase de instrução para produzir provas técnicas é uma estratégia passiva e arriscada. A advocacia moderna exige antecipação.

Com base nas melhores práticas da engenharia forense e nas mais recentes análises doutrinárias, trazemos uma reflexão crucial para advogados e produtores: a perícia agronômica prévia é a tática que pode encurtar o tempo processual. A exemplo do Xeque do Pastor no xadrez em que uma partida é ganha com apenas 3 movimentos, ao se valer de um laudo de assistência técnica anexada à petição inicial, ou mesmo contestação, o advogado pode se sobressair no litígio antes mesmo que a outra parte consiga organizar sua defesa.


Por que investir em um laudo agronômico judicial antes mesmo de o juiz nomear um perito agrônomo? A resposta está na ciência de dados aplicada ao Direito.


Em sua dissertação de mestrado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), a pesquisadora Simone Cabanelas Martinez analisou centenas de processos para entender o peso da prova pericial. A conclusão é contundente: em 52% dos casos, o laudo pericial foi relevante e decisivo para a sentença final do magistrado. Ainda que 52% pareça pouco, o que não é, em apenas 10% dos casos a decisão realmente não estava alinhada com o laudo. Martinez afirma que neste resíduo de 27%, por motivos diversos, não foi possível afirmar a relação causal entre decisão e laudo. Um deles é a apresentação de provas ainda mais robustas que se sobrepõem à perícia oficial.


Gráfico de pizza mostrando a porcentagem de sentenças influenciadas pela perícia prévia.

Ao trazermos essa importância apontada por Martinez para o âmbito do direito agrário, uma perícia prévia se torna imperativa. A realidade do campo é dinâmica. Plantações crescem, pragas atacam e o gado se move. Esperar a nomeação de um perito judicial meses ou anos após o início do processo pode ser desastroso. O tempo apaga vestígios, o que pode inviabilizar, por exemplo, uma futura contestação de laudo pericial de quebra de safra.

Embora o juiz tenha o livre convencimento motivado (Art. 479 do CPC), na prática, ele não decide contra a prova técnica robusta sem um motivo extraordinário. Ao apresentar uma inicial já instruída com um laudo de excelência, o advogado está entregando ao juiz a materialidade técnica pronta, influindo eficazmente na sua convicção desde o primeiro contato com os autos.

Outra vantagem da perícia prévia é a celeridade e a redução de custos. O Artigo 472 do Código de Processo Civil permite que o juiz dispense a perícia judicial quando as partes apresentarem pareceres técnicos elucidativos. Ainda antes disto, a perícia prévia viabiliza acordos extrajudiciais. Com o advento dos artigos 381-382 do CPC, as partes possuem o direito autônomo à prova, podendo utilizá-la para forçar acordos — seja em conflitos comerciais ou até mesmo em uma avaliação de benfeitorias para divisão de herança.


Análise de NDVI em área de Pivo Central


Na Sapientia Agroconsultoriaa, traduzimos subjetividades jurídicas em dados claros. Veja como a antecipação técnica pode blindar sua petição:

  • Renegociação de Dívidas: Alegar genericamente que o El Niño destruiu a lavoura não é mais um movimento válido. A nova regulamentação exige objetividade. Seja para renegociar CPRs ou atuar em uma perícia de seguro rural, é obrigatória a prova técnica atestando o nexo causal e a perda de safra (ex: mínimo de 30%). O uso de geotecnologias, como análises meteorológicas e fotos satelitais (NDVI), é vital para essa comprovação.

  • Recuperação Judicial (RJ) do Produtor Rural: A admissibilidade da RJ no campo exige lances precisos após o STJ (Caso Pupim) decidir que o produtor rural pode provar o exercício de atividade empresarial por outros meios. Nesse contexto, um assistente técnico agronômico atesta as reais condições de funcionamento da fazenda, conferindo segurança ao juiz para liberar o stay period e proteger o patrimônio.

  • Defesa em Desapropriações: Estudos demonstram que laudos do INCRA frequentemente declaram imóveis como improdutivos com base em metodologias defasadas. Uma perícia prévia com a correta avaliação de imóvel rural e a precisa avaliação de terra nua utiliza imagens de satélite e cálculos de GUT e GEE para reverter o quadro, contrapondo os laudos frágeis da fiscalização.

Para que essa estratégia funcione, o profissional deve seguir o princípio da "Mulher de César", onde não basta ser honesto, tem de também parecer honesto. Assim, advogados parceiros da Sapientia Agroconsultoria sabem que nossos laudos não são "encomendados" para distorcer a verdade, mas para traduzi-la de forma que o juiz entenda. Um laudo prévio bem fundamentado torna-se quase irrefutável se a outra parte não tiver assistência técnica de igual calibre.

No contencioso rural, a informação técnica é a munição mais valiosa. Deixar para contratar um assistente apenas na fase de perícia judicial é arriscar jogar com a sorte.

Na Sapientia Agroconsultoria, transformamos dados agronômicos, ambientais (incluindo laudo de passivo ambiental) e de engenharia em argumentos jurídicos vencedores. Se você é advogado, convide-nos para analisar o caso antes de peticionar. Vamos construir juntos a tese que garantirá a segurança jurídica e a produtividade do seu cliente.

Entre em contato conosco e descubra como nossa Expertise pode ser o diferencial do seu escritório.

 
 
 

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